5 técnicas simples para gastar menos e começar a investir

começar a investir

Como já visto no artigo A melhor forma de investir para quem não sabe o que fazer, gastar menos do que se ganha é a base para a construção de patrimônio. Gastar demais talvez seja o principal impeditivo de quem quer começar a investir. É difícil resistir às tentações cotidianas para não guardar um pouco para o futuro. Para ajudá-lo, seguem algumas técnicas bem interessantes para se gastar menos e controlar melhor suas finanças:

  • “Apertar o cinto”
contenção de gastos e investimento

Algumas pessoas têm o hábito de gastar menos do que ganham naturalmente, não fazem grandes dívidas, não se enrolam com o cartão de crédito. E esse hábito guarda certa independência da renda pessoal, todo mundo deve conhecer pelo menos uma pessoa que sustenta família com salário mínimo ou pouco mais que isso. Eu conheço várias pessoas assim. Levam uma vida simples, mas vivem bem e se orgulham e ter nome limpo e não dever nada a ninguém.

Se você tem esse perfil, naturalmente não gasta muito. Uma boa forma de começar a investir seria direcionar uma parte pequena do salário para as aplicações e se virar com a outra parte. Será como apertar o cinto, pode incomodar um pouco no início, mas a pessoa se acostuma com o passar do tempo e viver sob a nova restrição se torna natural. Mantenha isso por algum tempo e o hábito estará criado. Comece investindo 10% do que cai na conta todo mês e vá aumentando aos poucos (“apertando o cinto”). Mas há um limite, chega um ponto em que a restrição se torna sufocante e é preciso voltar a folgar um pouco a restrição. É necessário achar o próprio equilíbrio.

  • Anotar os gastos
planejamento financeiro e investimentos

É comum se chegar ao final do mês ou ao famoso dia 20 e não saber bem aonde foi o dinheiro, aquele momento onde sobra mês no final do salário. Pode não parecer, mas anotar os gastos pode ser uma ferramenta poderosa, pois ajuda a perceber onde está se gastando demais, liga o seu sinal de alerta e auxilia a direcionar o esforço para contenção da gastança.

Você pode anotar os gastos onde preferir, num caderno, numa planilha, há vários aplicativos que fazem isso por aí também. Não saberia indicar um app porque prefiro a boa e não tão velha planilha, mas há muitas opções, inclusive gratuitas.

Mas cuidado! Fazer isso pode se tornar muito cansativo se houver exagero no detalhamento. Use pequenos agregados de gastos. Nem mesmo empresas fazem detalhamento excessivo dos gastos. Em uma empresa, não se faz a anotação específica do gasto com uma caneta, pois vira tudo “material de escritório”, que agrega papel, canetas, lápis e outros produtos que são irrisórios isoladamente.

Também não se preocupe em controlar centavos, abuse de arredondamentos, de aproximações e de estimativas. Em vez de anotar cada cafezinho, estime mentalmente quantos foram tomados no mês e coloque a estimativa de valor nas suas anotações. Não se torne escravo da sua planilha. 

Esta técnica funciona muito bem quando em conjunto com a anterior. É basicamente essa combinação que uso para controlar minhas finanças. Mas se você usar mais de uma hora por semana para fazer suas anotações, provavelmente está fazendo um ajuste muito fino e vai se cansar.

  • Fazer um orçamento
planejamento financeiro e investimentos

Não, não estou falando de pedir uma cotação de algum produto ou serviço, mas de começar o mês planejando para onde vai o seu dinheiro antes dele ser gasto.

Se você é daquelas pessoas que pensa no cheque especial como parte da sua renda disponível, já tentou anotar os gastos da forma sugerida acima e nada deu certo, o seu caso é mais grave e a força do remédio tem de ser proporcional à gravidade do caso. Está na hora de tomar um pouco de “morfina”!

Pegue um caderno, planilha ou aplicativo, anote para onde vai cada parte da sua renda (inclusive a que vai ser investida) e monitore os gastos para que se mantenham abaixo do valor orçado durante o mês. Se perceber que os gastos de alguma área serão maiores que o determinado no orçamento, haverá duas escolhas: parar de gastar nesta área ou remanejar de outra, isto é, não gastar mais nesta área até o próximo mês ou, se quiser gastar mais, pegar parte do valor que foi orçado para outra área para compensar. Isso vai criar na sua cabeça a ideia de que o “cobertor é curto”.

Tome o mesmo cuidado de não gastar muito tempo com os controles para evitar a fadiga no uso da técnica, gaste no máximo uma hora e meia por semana monitorando o seu orçamento (inclusive para a anotação dos gastos sugerida no item 2). Torne isso um hábito, algumas pesquisas indicam que se você conseguir manter um hábito por 18 meses, provavelmente manterá por toda a vida.

  • Construir disciplina
construir  disciplina

Não é segredo que ter disciplina é um dos principais fatores que levam ao sucesso em qualquer área. Se você tem disciplina, você consegue construir bons hábitos com mais facilidade.

 Martin Meadows, em um ótimo livro que li que há alguns meses, How to build SELF-DISCIPLINE (Como desenvolver a AUTODISCIPLINA), fala de algumas pesquisas que indicam que a autodisciplina é algo que pode irradiar de uma área para outra da vida e sugere que você pode começar a construir autodisciplina com aspectos mais ligados a boa saúde, até porque é necessário ter boa saúde para aproveitar plenamente os benefícios da ação disciplinada nos outros aspectos da vida.

Os hábitos são basicamente formados por um gatilho, uma rotina de ação e uma recompensa. Um exemplo de hábito comum e não muito saudável: a pessoa fica triste (gatilho); come além da conta, corre atrás de algum doce ou uma bebida alcoólica (rotina de ação); e tem um alívio da tristeza (recompensa). Uma forma eficaz de se livrar de hábitos ruins é trocar a rotina de ação ao perceber o gatilho. Por exemplo, ao ficar triste, vá dar uma corrida em um parque e tomar um pouco de sol. É comprovado que estas atividades também podem causar alívio.

Comece construindo disciplina com a alimentação e com uma rotina de exercícios físicos a sua escolha. Isso o fará ganhar confiança e internalizar o processo de construção de bons hábitos. Assim seria só replicar o processo nas outras áreas em que necessita de disciplina, inclusive a financeira.

  • Criar objetivos que te gerem comprometimento
investimentos, finanças e alcance de objetivos

Acredito que essa seja a técnica seja mais poderosa de todas e poderia estar no início deste texto, como a mais fundamental, mas preferi deixar o melhor para o final. Criar objetivos que gerem comprometimento de longo prazo é determinante para que qualquer plano dê certo (disciplina!), inclusive planos de investimento. Juntar dinheiro sem ter um objetivo claro é um pedido para se gastar com qualquer coisa interessante que apareça. É necessário ter metas claras, crie as suas!

Mas como criar metas claras? Crie metas SMART (Specific, Measureble, Achievable, Relevant and Time-limited). Neste sentido, SMART é um acrônimo para metas que são específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com tempo determinado para o alcance. Por exemplo, ficar rico não é uma meta SMART, mas alcançar 200 mil reais em investimentos ao longo de cinco anos para viajar o mundo e conhecer 20 países pode ser uma. Juntar um determinado valor para comprar uma casa, para garantir uma aposentadoria tranquila ou para atingir independência financeira e poder trabalhar com o que quiser também podem ser metas SMART.

Objetivos são direcionadores de esforços. Nem sempre você conseguirá atingir suas metas, mas isso não significa que o esforço foi em vão. Conseguir parte do objetivo ainda é poder ótimo. Talvez não dê para conhecer 20 países, mas conhecer 14 também vai lhe proporcionar uma maravilhosa experiência.

Espero que esse texto te ajude na conquista dos seus objetivos.

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