A importância de ter uma reserva de emergência

caderno planejamento

Por mais que nos planejemos, poucas coisas são tão recheadas de aleatoriedade quanto a vida. Uma demissão, um problema de saúde ou uma mudança de cidade podem nos fazer precisar de dinheiro de maneira imediata para suprir uma contingência.

O brasileiro não costuma guardar muito dinheiro. Uma pesquisa da Anbima estimou que 52% dos brasileiros não tem nenhuma reserva financeira. O brasileiro é um dos povos que menos poupa no mundo (O Brasil poupa pouco?). Talvez isso seja um costume antigo. Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao rei de Portugal, no ano do descobrimento, descreveu esse pedaço do Novo Mundo como uma terra “onde tudo que se planta, dá”. Recursos naturais abundantes podem ser um convite para não se preocupar muito com o futuro.

Quando se consegue poupar algo, alguns colocam tudo na poupança ou em produtos bancários ruins. A lista de produtos ruins é imensa: títulos de capitalização, fundos simples com altas taxas de administração, previdências privadas com performances do tipo “até mainha faria melhor”, etc. Outros, quando sobra alguma coisa no fim do mês, buscam alguma “dica quente” de alto potencial de retorno e de alto risco antes mesmo de ter uma reserva de emergência. Ter uma reserva financeira pode evitar que você precise de um empréstimo em uma situação de urgência ou fique endividado por deixar de pagar as despesas do dia a dia. Ser devedor no Brasil é algo problemático. As taxas de juros são muito altas, inclusive comparando com países de economia parecida.

Mas, afinal, o que é uma reserva de emergência? É uma economia que se faz para lidar melhor com situações imprevistas. Esta reserva precisa ser mantida de forma segura e líquida. Isso significa que não pode estar em um investimento arriscado e precisa estar disponível rapidamente no momento da necessidade sem que haja grandes perdas de valor. Por exemplo, o dinheiro que está na poupança é muito líquido, porém um imóvel não é nem um pouco. Caso precise vendê-lo, vai demorar algum tempo ou precisará oferecer um bom desconto com relação ao valor de mercado para conseguir vender rápido.

A liquidez está dentro de um dos triângulos impossíveis da Economia. Na hora de investir o seu dinheiro, as opções são liquidez, risco e retorno (potencial de ganho). Escolha duas, pois não vai conseguir ficar com as três. Se alguém lhe oferecer um investimento com as três, simplesmente fuja.

Investimentos com alta liquidez e de baixo risco são os que podem servir como reserva de emergência. É necessário abrir um pouco a mão do retorno. Neste contexto, as opções de investimento para a reserva são basicamente:

  • Poupança;
  • Tesouro Selic (Tesouro Direto);
  •  CDB’s com liquidez diária;
  • Fundos de renda fixa com liquidez diária.

Os fundos, o Tesouro Direto e os CDB’s podem render um pouco mais, porém podem exigir alguns passos adicionais, como fazer uma conta em uma corretora ou em um banco digital para sofrer taxações menores ou obter rentabilidades melhores. Entre estes investimentos, você terá de equilibrar o retorno com a facilidade de uso. Você pode deixar parte da reserva no seu banco, com disponibilidade imediata, e aplicar outra parte, rendendo um pouco mais, em um investimento que pode só devolver o seu dinheiro no dia seguinte ao da solicitação, como o Tesouro Direto.

Ter uma reserva é o primeiro passo antes de você se tornar um investidor de verdade. Com a reserva feita, você terá maior liberdade para diversificar o seu dinheiro em qualquer classe de ativos.  Indica-se que o equivalente a 3 a 12 vezes o valor do seu gasto mensal seja mantido em reserva, dependendo de quão insegura for a sua renda. Os servidores públicos precisarão de menos, empreendedores e profissionais autônomos precisarão de mais. O valor exato acaba sendo uma escolha de cada um, mas não deixe de ter a sua reserva.

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